segunda-feira, 16 de maio de 2005

::: zero e-zine :::

::Frase de Efeito I:

Por Contardo Calligaris

Pensamos segundo lógicas comuns e compartilhamos prazeres comuns ao escutar Chopin, mas nem por isso conseguimos inventar juntos um mundo justo e pacifico.

(zero e-zine 18. para mais: www.zeroezine.com.br)

::: poemas não são para serem publicados :::

Poemas não são para serem publicados
poemas são Drag Queens
rolando piteiras em puteiros
ou somos nós,
poetas velhos de caras borradas
poetas de cinco centavos

Poemas não são para serem publicados

Poemas são para serem escritos
às vezes rasgados
às vezes guardados
Podem ser confessionais,
imorais de vanguarda
Podem ser apenas
a voz humílima do guarda
Podem ser criança

Mas em Geral
são sem esperança
de serem publicados
Poemas custam caro
e não fazem o mesmo efeito de um choque
não fazem o efeito de um baseado
Poemas não servem para trepar
nem nada

Nem sequer tente publicar seus poemas
faça-os voltar calados às gavetas
Com eles ninguém se meta

Dormirão como dormem os drogados:
tristes, gelados, pesados
mas serão sempre únicos
Sempre ineditamente mediúnicos

Sempre salvos das graças das prebendas
Sempre coisas pudendas (ainda que sujos)

Poemas, sempre úmidos
Noviços, fim de feira
maus de venda e de vida.

Não são nem mesmo um incentivo à leitura,
pois quem vai ler linhas quebradas
oriundas de alma idem?

(renata pallottini)

::: meio de música :::

"... inda bem que me restou o seu sorriso ...
que me alumia a alma ... e que me acalma quando eu preciso ..."

(zé geraldo ... em uma das que eu gosto e não sei o nome...)

::: dawn zine :::

O cronópio pequenininho buscava o equivalente em inglês para a palavra "bambolê", mas, para que pudesse encontrar a palavra adequada, precisava o cronópio dar uma boa rebolada. Aqui se detinha o pequenino, pois necessitava de um bambolê para rebolar, e não sabia como pedi-lo ao dono do Wal-Mart.

(para mais: http://www.damnzine.hpg.ig.com.br/)

::: o último poema :::

Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais limpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação

(manuel bandeira)

::: meio de música :::

"... Nikui, Kuyashii, Yurusenai.
Kesu ni Kesenai, Wasure-rarenai.
Tsukinu, Tsukinu,
Tsukinu On'na no... Urami-bushi ... "

(I hate you. Full of regret, never forgiven.
Try to erase my memory, but cannot forget you.
It never ends, never,
It never ends, 'cause that's my grudge blues)

(meiki kaji - urami bushi ...)

::: com cara de bob dylan :::

...

::: meio de música :::

"... The highway is for gamblers, better use your sense.
Take what you have gathered from coincidence.
The empty-handed painter from your streets
Is drawing crazy patterns on your sheets.
This sky, too, is folding under you
And it's all over now, Baby Blue ..."

(bob dylan - it's all over now, baby blue)


"... a estrada é pra você e o jogo é a indecência
junte tudo o que você conseguiu por coincidência
e o pintor de rua que anda só
desenha maluquice em seu lençol
sob os seus pés o céu também rachou
e não tem mais nada, negro amor ..."

(versão semi-literal de caetano e péricles cavalcanti)

::: zero e-zine :::

::Solidão:
só repensando

Não vou trocar você por uma palavra de ordem
não vou trocar espelhos por sorrisos
não vou colocar coca-cola no meu nome
não vou dizer não

vou trocar a marca da minha pasta de dente
e a hora que vou me deitar
vou deitar e ficar espiando o nascer do sol
bem devagar

Vou pensar em pessoas que tenho saudade
um dia inteiro
e não vou falar com as pessoas do trabalho
um dia inteiro

vou ficar analisando o hábito das pessoas lá em baixo
aquelas que atravessam a rua sem olhar para os dois lados
ou aquelas que vivem esperando ao lado dos carros
vou esperar ao lado delas um pouco

não vou abraçar
não vou almoçar
vou dizer sim
e vou ficar paradão

vou parar de dizer o que vou fazer
vou pensar coisas absurdas pra dizer
mas vou guardar dentro de um pote
dentro de um grande pote embaixo da pia

não pergunte
não se importe
não vou trocar você,
eu já disse.

(zero e-zine 50 - para mais: www.zeroezine.com.br)

sábado, 26 de fevereiro de 2005

::: frase de efeito II :::

um dia

Devorava os sucessos populares com um brilho nos olhos, tão simples, tão claro, que definitivamente não fazia parte da indústria; não era fantoche, era uma pessoa que amava.
(zero e-zine 39)

::: música :::

Satellite Of Love
Lou Reed

Satellite’s gone
Up to the skies
Thing like that drive me
Out of my mind

I watched it for a little while
I like to watch things on tv

Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of

Satellite’s gone
Way up to mars
Soon it will be filled
With parking cars

I watch it for a little while
I love to watch things on tv

Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of

I’ve been told that you’ve been bold
With harry, mark and john
Monday, tuesday, wednesday to thursday
With harry, mark and john

Satellite’s gone
Up to the skies
Thing like that drive me
Out of my mind

I watched it for a little while
I love to watch things on tv

Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of

Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
...

::: matéria de poesia :::

Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia.
O homem que possui um pente e uma árvore serve para a poesia. Terreno de 10 por 20, sujo de mato, e os detritos que nele gorjeiam, como, por exemplo, latas, servem para poesia.
As coisas que levam a nada têm grande importância. Cada coisa ordinária é um elemento de estima; cada coisa sem préstimo tem seu lugar na poesia.
As coisas que não pretendem, como, por exemplo, pedras que cheiram água, homens que atravessam períodos de árvore, se prestam para poesia. Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma e que você não pode vender no mercado, como, por exemplo, o coração verde dos pássaros, serve para poesia.
Os loucos de água e estandarte servem demais para a poesia.
O traste é ótimo, o pobre-diabo é colosso. As pessoas desimportantes dão para a poesia.
Qualquer pessoa ou escada, o que é bom para o lixo é bom para a poesia. As coisas jogadas fora têm grande importância. Um homem jogado fora também é objeto de poesia. Aliás, saber qual o período médio que um homem jogado fora pode permanecer na terra sem nascerem em sua boca as raízes da escória também dá poesia!
Tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia.
(manoel de barros)

::: sorriso :::

eu rio um sorriso
no meio da rua
num dia vazio,
um sorriso
meio sem graça
sem pé nem cabeça
no frio de algum dia ...
rio um sorriso
no meio da praça
rumo ao vazio
em meio à cabeça
rumo à alegria
que o sorriso faça ...
(guilherme)

::: frase de efeito I :::

reticente, mas quase verdade

Um sorriso atravessou a rua. Quando percebeu estava perdido: sozinho e longe de casa.
(zero e-zine 23)

::: amor :::

Amor é quando é concedido participar
um pouco mais.
Amor é a grande desilusão
de tudo mais.
Amor é finalmente
a pobreza.
Amor é não ter
inclusive amor
É a desilusão
do que se pensava
que era amor.
Amor não é prêmio
por isso não envaidece.
(clarice lispector)