domingo, 10 de julho de 2005

::: uma música :::

I want to live,
I want to give
I’ve been a miner for a heart of gold.
It’s these expressions I never give
That keep me searching for a heart of gold
And I’m getting old.
Keeps me searching for a heart of gold
And I’m getting old.

I’ve been to hollywood
I’ve been to redwood
I crossed the ocean for a heart of gold
I’ve been in my mind, it’s such a fine line
That keeps me searching for a heart of gold
And I’m getting old.
Keeps me searching for a heart of gold
And I’m getting old.

Keep me searching for a heart of gold
You keep me searching for a heart of gold
And I’m getting old.
I’ve been a miner for a heart of gold.

(neil young - heart of gold)

::: zero e-zine :::

::Frase de Efeito II:
como se não bastasse

É tão fácil acreditar nela quando ela sorri, acredito eu.

(zero e-zine 29)

::: uma oração :::

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

(oração de São Francisco)

::: zero e-zine :::

::Frase de Efeito I:
quase metade

Esse era o seu dia especial, e em casa, quando voltasse, ia ter bolo, e ele chegando na sala de aula com um sorriso que ia de canto a canto.

(zero e-zine 29)

::: uma poesia :::

tem a ver mais com sinceridade do que com beleza ...
a poesia é só uma menina bonita ... que dobra a esquina e não volta ...
é a curva da imaginação ... não vê problema e se entrega ...
não sai da cabeca, vem no vento que passa ... na luz que se apaga e proclama o silêncio ...
a poesia é só um grito silencioso saído do coração ...
não tem a ver com a consciência, muito menos com a lógica ...
se engana quem pensa a poesia ...
a poesia engana, quer dizer mas não diz
pensa que diz, mas ela pode não entender ...
é só uma menina bonita dobrando a esquina ... e deixando pra trás a vontade de ficar ...

(guilherme)

::: uma música :::

Both Sides Now

Bows and flows of angel hair and ice cream castles in the air
and feather canyons everywhere, I've looked at clouds that way.
But now they only block the sun, they rain and snow on everyone.
So many things I would have done but clouds got in my way.
I've looked at clouds from both sides now,
from up and down, and still somehow
it's cloud illusions I recall.
I really don't know clouds at all.

Moons and Junes and ferris wheels, the dizzy dancing way you feel
as every fairy tale comes real; I've looked at love that way.
But now it's just another show. You leave 'em laughing when you go
and if you care, don't let them know, don't give yourself away.
I've looked at love from both sides now,
from give and take, and still somehow
it's love's illusions I recall.
I really don't know love at all.

Tears and fears and feeling proud, to say "I love you" right out loud,
dreams and schemes and circus crowds, I've looked at life that way.
But now old friends are acting strange, they shake their heads, they say
I've changed.
Something's lost but something's gained in living every day.
I've looked at life from both sides now,
from win and lose, and still somehow
it's life's illusions I recall.
I really don't know life at all.

(joni mitchell)

::: pequeno poema didático :::

O tempo é indivisível.
Diz: qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas mas fica a árvore, contra o vento incerto e vário.
A vida é indivisível.
Mesmo a que se julga mais dispersa e pertence a um eterno diálogo, a mais
inconseqüente conversa.
Todos os poemas são um mesmo poema,
todos os porres são o mesmo porre.
Não é de uma vez que se morre... todas as horas são extremas!

(mario quintana)

::: contranarciso :::

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que
estejamos a sós

(Leminski, 1985, p.12)

::: mephistópheles :::

Eu sou Mephistópheles. Mephistópheles, é o diabo. E todos vocês são Faustos.
Faustos, os que vendem a alma ao diabo.
Tudo é vaidade neste mundo vão, tudo é tristeza, é pop, é nada. Quem
acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre
nossos braços e abraços.
Mas eu não sou o que vocês pensam. Eu não sou exatamente o que as Igrejas
pensam. As Igrejas abominam-me. Deus me criou para que eu o imitasse de
noite. Ele é o Sol, eu sou a Lua.
A minha luz paira sobre tudo que é fútil: margens de rios, pântanos, sombras.
Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida, figura que lhe
darei toda felicidade. Figura que te beijaria indefinidamente. Era eu. Sou eu.
Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderá achar. Os problemas que
atormentam os Deuses. Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de
Melo Neto: Ai de mim, ai de mim. Quem sou eu?
Quantas vezes Deus me disse: Meu irmão, eu não sei quem eu sou.
Senhores, venham até mim, venham até mim, venham. Eu os deixarei em
rodopios fascinantes, vivos nos castelos e nas trevas, e nas trevas vocês verão
todo o esplendor.
De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem? De que adianta pagar
as contas no fim do mês religiosamente, as contas de luz, gás, telefone,
condomínio, IPTU?
Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem
através de uma rasa e vã mediocridade, que é o que vocês merecem.
As suas bem humanas insaciabilidade, terão lábios, manjares, bebidas.
É difícil encontrar quem não queira vender sua alma ao diabo.
As últimas palavras de Goethe ao morrer foram: Luz, luz, mais luz!!

(goethe)

::: meio de música :::

"... questions of science, science and progress
do not speak as loud as my heart ...
... ... ... ...

... nobody said it was easy ...
... oh it's such a shame for us to part ...
... nobody said it was easy ...
... no one ever said it would be so hard ...
... i'm going back to the start ..."

(coldplay - the scientist)

domingo, 3 de julho de 2005

::: música :::

mochileira

Mochileira deite comigo essa noite
E conte aquela velha história
De como as noites são claras em Machu Pitchu
E os dias dourados na Califórnia
Moça eu não vou precisar
Ler na sua mão pra saber
Que você não vai voltar
Pra vida maluca das pessoas
Do mundo
Das formigas tentando
Se esconder da chuva
Pedro saiu numa barca pro Nepal
Vera estava em Amsterdã
Porque não tentar algo mais divertido
Que casar com executivos
E acabar achando excitante
A reunião semanal da confraria
Dos amantes das delícias da boa
Velha tecnocracia
Dance mochileira que eu toco a guitarra
Moça eu sei que não é legal
Ficar sozinha quando o velho medo vem
E essa noite em Cuzco é tão fria
Me passe a garrafa de vinho
Sim eu posso ver
Que os tempos tem sido maus com você
Mas os Deuses eles sabem
Que valeu a pena segurar essa barra
Moça o céu é seu amigo
Enquanto durar essa farra
E você depois é mesmo
Do tipo de cigarra
Que canta na chuva
Dance mochileira que eu toco a guitarra

(geraldo roca)

::: só um pouco :::

só um pouco sentir falta ...
sentir só um pouco saudade ...
querendo estar perto
tentar dizer de novo o que não foi dito ...
um pouco vontade de achar que é importante ...
que é igual a tantos ... indiferente ...
o abraço e o pedido de bênção ...
o sorriso e silêncio no ar ...
só um pouco sentir falta ... e não ter volta ...
encontrar compreensão pr'um mundo louco ...
o dilema de todo lugar ...
o jeito mais fácil de dizer felicidade ...
errar com boa intenção ... pelo melhor caminho ...
um pouco pedido de desculpas ...
... amor sincero e sem motivos ...
em volta da mesa de jantar ...
só um pouco sentir falta ...
quando é muita a falta que se faz ...
::: :::

::: não seja o mesmo :::

Você sabe tão bem quanto eu,
que uma das principais causas do tédio
é a estreiteza do nosso destino.
Todas as manhãs, despertamos iguais ao que éramos na véspera.
Ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos
refinados pela reflexão.
Sair do próprio eu é um dos sonhos mais inteligentes que um homem pode ter.

(julian green)

::: filme :::

Compra-se um filme que tenha
menos de dez tiros, assassinos e assassinatos.
Que tendo cama, tenha também
outros móveis agradáveis à vida.
A vida comum do corpo,
como a preguiçadeira, a mesa, a cadeira.
Que tenha princípio, meio e fim.
Que não tenha charada nem blá blá blá.
Enfim um filme que não exista
mas pareça tudo.

(carlos drummond de andrade)