quinta-feira, 28 de julho de 2005

::: só um devaneio :::

"... cosmonauta spiff, conquistador do cosmo é encurralado por um terrível zondarg !!!"

(calvin e haroldo)

::: zero e-zine :::

::Cine B:
quase destrutivo

sarcasmo

eu rio
te amo
de você
rio muito
destruo
escureço
desmereço
te amo
eu roubo
destruo
acabo com tua ingenuidade
da sua esperança
faço pouco
destruo
quando rio
te dispo
quando rio
de você.

(zero e-zine 18)

::: meio de música :::

"...na hora da canção em que eles dizem 'baby'
eu não soube o que dizer ..."

(vida real - gessingertrio 'do hawaii')

::: zero e-zine :::

::Frase de efeito II:

A gente esquece muito fácil.

(zero e-zine 18)

::: música :::

Se já nem sei
O meu nome
Se eu já não sei parar

Viajar é mais
Eu vejo mais
A rua, luz, estrada, pó
O jipe amarelou

Manoel, o audaz
Manoel, o audaz
Manoel, o audaz, vamos lá

Viajar
E no ar livre
Corpo livre
Aprender ou mais, tentar

Manoel, o audaz
Manoel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender
Vamos lá

(manoel, o audaz - toninho horta e fernando brant)

::: sei cada vez menos :::

me sinto criança de novo quando não consigo abrir a embalagem do meu yakult ... a diferença é que agora minha mãe não está por perto pra me evitar de abrí-lo com a faca ...
(guilherme)

::: o homem e sua sombra :::

O homem e sua sombra.
Era um homem com sombra de cachorro,
que sonhava ter sombra de cavalo,
mas era um homem com sombra de cachorro.
E isto, de algum modo me incomodava.
Por isto, aprisionou-se num canil.
E altas horas da noite,
enquanto a sombra lhe agrava,
sua alma em pêlo galopava.

(affonso romano de santzanna)

::: uma música :::

I’m in the grass all wine colored
Wine colored grass
I’m in the grass all wine colored

Repeat x 9

(evan dando - in the grass all wine colored)

::: não sei :::

acho que as paixões mais loucas não escolhem razões
e meu beijo não escolheu sua boca ...
assim como a loucura nem sempre quer a cura
o destino nem sempre nos reserva o lado mais doce ...
também, as limitações humanas nos impedem de dizer tudo em palavras ...
seria mais fácil se fosse possível interpretar os silêncios ...
algumas razões bem loucas sufocam as paixões
e às vezes se cai num abismo entre as bocas ...
a minha loucura nem sempre te procura
mas meu tino, insensível, quase não acerta o passo ...
seria difícil explicar com palavras
mais fácil, se fosse possível, interpretar o silêncio de algum verso inacabado ...

(guilherme)

segunda-feira, 18 de julho de 2005

::: uma música :::

o vagabundo
(giramondo - Bardotti/Leva/Reverberi/Scommegna - versão: Freedmann)

um giramundo como eu
que vive a vida a procurar
alguém que siga o meu caminho
e veja tudo como eu
se caminhando eu encontrar
alguém que seja como eu
será o fim dessa estrada
e finalmente irei parar

contando os dias
esperarei
de passo em passo
eu procurarei e acharei
acharei, acharei

um vagabundo como eu
também merece ser feliz
pois eu só quero dessa vida
ter um amor somente meu

contando os dias
esperarei
de passo em passo
eu procurarei e acharei
acharei, acharei

um vagabundo como como eu
também merece ser feliz
pois eu só quero dessa vida
ter um amor somente meu

(com Os Incríveis ...)

::: texto de thiago cunha :::

Especular sobre os devaneios das outras pessoas sempre vai te fazer pequeno.

Pensar, simples e involuntariamente, já esmaga muito do que você acredita, criando outras certezas que serão esmagadas um pouco depois.

É difícil acreditar em algo que exponha o que você realmente é.

É difícil, impossível, ser uma coisa só. Talvez por isso algumas pessoas falem pouco, valorizando o poder do silêncio.

Talvez por isso algumas pessoas falem e riam tanto, mostrando a coragem que querem mostrar que tem, de ser... seja lá o que for.

Mentimos pra nós mesmos, muitas vezes, só para nos convencermos de que somos tal coisa, de que nunca mudamos ou de que agora somos totalmente diferentes.

A verdade é que a nossa existência depende essencialmente da existência dos outros.

Nós somos tudo o que vimos, tudo do que gostamos, tudo o que fizemos e que normalmente não faríamos.

Nós somos aquele calafrio que se sente por alguém com quem você nunca conversou e que nem faz seu tipo, aquela alegria que vem sem explicação, durante o dia mais sem graça, o envolvimento com as personagens de um livro.

Ser é como amar, como ter esperança, essas coisas que não dão pra tocar e das quais a gente vive apanhando.

(tiago cunha)

::: estrela da manhã :::

Eu quero a estrela da manhã.
Onde está a estrela de manhã?
Meus amigos, meus inimigos, procurem a estrela da manhã!
Ela desapareceu, estava nua.
Desapareceu com quem?
Procurem por toda parte.
Digam que sou um homem sem orgulho, um homem que aceita tudo. Que me importa? Eu quero a estrela da manhã.
Três dias e três noites fui assassino e suicida. ladrão, pulha, falsário.
Virgem mal-sexuada, atribuladora dos aflitos, girafa de duas cabeças! Pecai por todos, pecai com todos.
Pecai com os malandros, pecai com os sargentos, pecai com os fuzileiros navais. Pecai de todas as maneiras. Com os gregos e com os troianos, com o padre e com o sacristão, com o leproso e depois comigo.
Te esperarei com mafuás, novenas, cavalhadas. Depois, comerei a terra e direi coisas de uma ternura tão simples, que desfalecerás.
Procurem por toda parte.
Pura ou degradada até a última baixeza, eu quero a estrela da manhã.

(manuel bandeira)

::: revista :::

na capa, algum palhaço de gravata
pivô dum novo escândalo bancário
na entrada, uma entrevista do Romário
que ao gênio se compara, por bravata

encarte colorido auto-retrata
o fútil bastidor publicitário
embora o texto esbanje erro primário,
vem só um rodapezinho como errata

a página de esporte é defasada
fofoca é uma coluna concorrida
o artigo financeiro não diz nada

nas fotos, só mulheres de má vida.
resenha literária é marmelada.
cartum sem graça e a josta já está lida.

(na capa, algum palhaço autoritário
rodapé publicitário auto-retrata
fútil entrevista por bravata
ao gênio se compara, o otário)

(glauco mattoso ... musicado por humberto gessinger)

::: história bem triste :::

O palhaço subiu no 701-U e apareceu no corredor com aqueles sapatões, jogou a pasta de couro no banco dos idosos e remexeu os bolsos em busca de uns trocados. Tinha molhado o bilhete único durante a chuva daquele dia, nas calças apenas uma interminável fila de lenços coloridos atados pela secretária (quanto mais ele tirava, mais descobria novos tons de azul-bebê no espectro das cores frias).

O palhaço achou três moedas de dez e duas de cinqüenta que sobrara do troco da cerveja depois do trabalho, mas o cobrador apontou para Tarifa Dois Reais sem tirar o fone do ouvido. O palhaço teve que passar por baixo, desejando ser o contorcionista, enquanto muita gente colocava o walkman no ouvido ou fingia estar cochilando porque (podia estar roubando podia estar matando) certamente ele começaria a pedir. O palhaço se arrastou [contudo todavia] com a pasta de couro através do vão da roleta, sujou os fundilhos, não olhou para ninguém e se sentou no primeiro banco vago. Suspirou alguma coisa, cansado, antes de encostar a cabeça na camada de pó que revestia o encosto do banco. O dia havia sido terrível — o pessoal da firma o culpou por um erro no software de produção, ele teve de assinar um cheque e levar quatrocentos rolos de adesivo pra casa. Também houve um problema financeiro: a funcionária do departamento de folhas-sulfite foi cheirar a flor da lapela do palhaço, apesar das advertências, encharcou-se de uísque e provocou a queda da bolsa (bem na cabeça dele). Na saída, a chuva ainda borrou sua maquiagem, descolou levemente a parte de trás da peruca e arruinou os quatrocentos rolos de autocolante que ele arrastava pela rua de paralelepípedos, para dar de presente à mulher barbada. O palhaço olhava pela janela do ônibus, lamentando ter desperdiçado cinqüenta centavos numa cerveja tão ruim.

Uma criança o encarava no ônibus ao lado, grudava o nariz no vidro, dizia nomes muito feios, mas o palhaço não deu bola, se levantou e percorreu o resto do corredor, meio bêbado. Desceu em frente ao shopping. O palhaço pensava naquele sujeito do trem-fantasma, que se afogara na tina dos elefantes porque não conseguia assustar ninguém.

(dawn zine ...)

::: ... :::

:: POR ONDE VC COMEÇARIA? ::
por Sérgio Praça, tempos atrás

Se eu tivesse que cortar um cadáver, começaria pegando uma faca bem afiada.

(dawn zine ...)