terça-feira, 30 de agosto de 2005

::: meio de música :::

"... não sei se é moderno ou careta
querer um amor tão eterno ..."

(fernanda porto - tudo de bom)

::: sujeito de sorte :::

O sujeito era famoso por ter uma sorte inacreditável.

Na infância, nunca fora surpreendido quando fazia suas travessuras; no colégio, o pouco que estudava sempre caia na prova; no vestibular chutou todas as questões e ainda assim passou em primeiro lugar; no emprego, seus dois chefes imediatos morreram num intervalo de 6 meses, propiciando-lhe galgar um posto altíssimo; antes de completar 30 anos, herdou uma fortuna considerável de uma tia-avó distante e durante toda a sua vida era sempre visto ao lado das mulheres mais lindas do mundo.

Um dia porém, enfadado com a vida que nunca lhe apresentava nenhuma dificuldade, pediu uma licença e foi viajar pelo mundo.

Na Índia conheceu uma mulher lindíssima e logo os dois foram para a cama, onde ela se revelou fantástica durante a noite inteira. Quando acordou, viu que a moça ainda dormia e ficou por alguns momentos admirando o seu rosto sereno. De repente, uma coisa lhe chamou a atenção: o sinal que as mulheres hindus tem no meio testa.

Tomado de uma irresistível curiosidade, ele quis descobrir o que era aquilo.

Com a ponta da unha do polegar, raspou aquela manchinha durante alguns instantes e, para sua surpresa, descobriu que estava escrito embaixo:

Ganhou uma Mercedes!
::: eu quero acreditar :::

::: meio de música :::

"... tornar o amor real é expulsá-lo de você
para que ele possa ser de alguém ..."

(nando reis - quem vai dizer tchau )

::: fábula matrimonial :::

Chovia, e ele estava lá fora com uma pá e dois sacos de lixo. Eram nove horas da manhã de uma terça-feira e o marido de Fabiana varria o meio da rua.

Nos primeiros meses de casamento, ele apenas juntava as folhas do quintal antes de ir trabalhar. Com o tempo, comprou um escovão e passou a higienizar a área duas vezes ao dia: pela manhã e à noite. Fabiana percebeu que em breve ficaria solteira no dia em que ele vestiu luvas de borracha e usou oito tampas de "Ajax festa das flores" diluídas em um litro d’água. Incluiu a calçada em seus domínios. Em questão de semanas, ela já não podia colocar o lixo no portão (impunemente) ou chegar da rua pela entrada principal. Corria o risco de deixar pegadas de lama no caminho e causar uma crise conjugal. Na semana das bodas de papel, o marido de Fabiana pediu demissão da Firma, calçou um par de galochas e se pôs a varrer a rua em horário comercial.

Foi quando começou a chover. Enquanto o marido fazia uma faxina no meio-fio, ela arrumava as malas. Fabiana pediria o divórcio e ficaria com a custódia dos materiais de limpeza. Saiu com a bagagem pela porta da frente, deixando pra trás um rastro de lama que, vá lá, a incomodou um pouco. Antes de entrar no carro, aproveitou para juntar umas folhas do quintal e amontoou-as perto da garagem. Naquele canto, encontrou um saco de lixo dobrado pelo marido especialmente para ela, como guardanapo de pano em restaurante chinês.

Fabiana foi embora, é verdade, mas voltaria no dia seguinte com uma pá maior.

(outra do dawn zine #61)

::: desenhos na nuvem :::

super-herói ...
elefante tomando sol ...
homem escalando uma montanha ...
gaivota ...
zepelin ...
homem rolando montanha abaixo ...

(sim, na mesma nuvem, nessa ordem ...)

... e a Michele ficou indignada quando falei que vi um "grito" em desenho nas nuvens ... saudades (muitas) da Michelle ...

::: dawn zine II :::

::: história sem o menor sentido :::
mil perdões

Todos os dias ele recebia telefonemas interurbanos e visitas lhe traziam biscoitos. Ele freqüentava o tintureiro aos sábados bem cedo, reunia em casa o pessoal da firma, bebia tudo o que tivesse gosto ruim: tinta plástica, suco de tomate. Alonso vestia uma touca preta nos dias de frio e seus amigos calçavam galochas nas festas a fim de tirar fotos engraçadas.

Alonso encostava nos azulejos da cozinha lotada de gente e contava piadas com uma caneca de salmoura na mão. Ele apertava o ombro das meninas e sussurrava para as mais chegadas o hino à bandeira, enquanto alguém colocava no som um disco raro de sessenta e seis, a prima dançando em cima do sofá com um par de galochas.

Alonso com aquela touca me lembrava o Pio XXI, a Greta Garbo, o Amado Baptista.

Deve ser triste pra ele
Parecer tanta gente.

(dawn zine #61)

::: toda a música :::

La fiebre de un sábado azul
y un domingo sin tristezas.
Esquivas a tu corazón
y destrozas tu cabeza,
y en tu voz, sólo un pálido adios
y el reloj en tu puño marcó las tres.
El sueño de un sol y de un mar
y una vida peligrosa
cambiando lo amargo por miel
y la gris ciudad por rosas
te hace bien, tanto como hace mal
te hace odiar, tanto como querer y más.
Cambiaste de tiempo y de amor
y de música y de ideas
Cambiaste de sexo y de Dios
de color y de fronteras
pero en sí, nada más cambiarás
y un sensual abandono vendrá y el fin.
Y llevas el caño a tu sien
apretando bien las muelas
y cierras los ojos y ves
todo el mar en primavera
bang, bang, bang
hojas muertas que caen,
siempre igual,
los que no pueden más
se van.

(Viernes 3 AM - serú girán)

::: dawn zine :::

:: DUPLEX ::
Cícero, filósofo romano

O mundo está repleto de loucos.

(dawn zine #61)

::: zero e-zine :::

::Frase de Efeito I:
quase metade

Esse era o seu dia especial, e em casa, quando voltasse, ia ter bolo, e ele chegando na sala de aula com um sorriso que ia de canto a canto.

(zero e-zine 29)

::: meio de música :::

"... pra dizer um bilhete sobre a mesa ...
pra se mandar o pé na estrada ..."

(herbert vianna & zélia duncan - partir, andar)

::: espetáculo :::

O salto mortal é meu número especial nesta tarde de domingo.

Não tentarei o trapézio, por não saber voar sobre as cabeças que torcem para a corda arrebentar.

Pensando bem, abrirei a tarde falando ao respeitável público que farei a mágica final: desaparecer sem nunca ter sido visto por ninguém.

(álvaro alves de faria)

::: passado :::

O passado não tem nome
O passado tem história
O passado tem lembrança
O passado não existe fora da cabeça
Não tem pés, não tem mãos
O passado é uma mentira
que eu fico lembrando
de novo e de novo
Tentando achar um fim
pro começo que eu tive
Quebrando a cabeça
tentando achar o meu passado
em fotografias, em velhas canções, em roupas rasgadas
O passado não faz sentido
e não tem meu nome
O passado não se chama saudade
O passado não se chama saudade
O passado não se chama ... saudade
O passado não se chama saudade
... saudade não se chama passado ...
O passado não se chama saudade ...

(jeremy - banda do vj rafa da mtv)

::: fragmentos :::

As nossas casas deveriam ter infância.
Não a insignificância de um rótulo (néo-coloniais, barrocas, modernas, prontas para morar) ou coisa parecida.
O ideal seria que tivessem fases vivas, em que pudessem modificar sua forma e crescer com a gente.

Hoje, o desconhecido se agiganta diante de mim.

O elevador panorâmico eleva e esparrama o que me deprime.
Do alto, tento localizar meu antigo endereço.
Mas tudo se perde entre prédios, carros e multidões.
Minha identidade não mora mais aqui

(raimundo gadelha)

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

::: toda a música :::

That pencil smell,
reminds me of school.
The clock on the wall
I can no longer fool.

Time to get in my car,
been so tongue-tied and tired.
Time to trust these old tires,
time now to say good-night.

Jesus rides with me.
His world, is plain to feel.
Come on, you can be,
got yourself to steal.

He's everywhere,
sends me straight across the plain.
He's in your hair,
he'll forgive me my pain.

You're my girl, don't you show it.
To know you know is to know it.
When you can't trust yourself,
baby, trust someone else.

Jesus rides with me.
His world, is plain to feel.
Come on, you can be,
got yourself to steal.

You're my girl, don't you show it.
To know you know is to know it.
When you can't trust yourself,
baby, trust someone else.

ride with me
ride with me
ride with me
ride with me

(lemonheads - ride with me ...)